Rotina - quem diria? - é algo gostável. Um post sobre fórmulas e barrinhas salgadas (ou não).

29 de out de 2013



(In English)

Não sei vocês, mas eu sou uma pessoa que gosta de comida. Mesmo.
Me dá um bruta mau humor ter fome e/ou vontade de comer, e não ter nada à mão para beliscar.
E com essa onda em que ando de comer direitinho e saudável, a trama se complica.
Porque às vezes até daria pra quebrar o galho em alguma padaria do caminho, mas não ando com vontade de comer pão de queijo e pão francês o tempo todo (além do mais, cada bocadinho que se compra na rua em São Paulo representa uma porcentagem significativa dos ganhos mensais de um ser humano).
Eis que em maio do ano passado, juntando informações daqui e dali, e testando um pouco, fiquei feliz com a receita/fórmula que desenvolvi para barrinhas de aveia.
Cê vê: elas ficaram do jeito que eu gosto. Crocantes, e aceitando bastante variação nos ingredientes.
A questão é a seguinte: se eu tenho fome, em geral preciso de algo salgado. E isso não é possível com a receita daquelas barrinhas de aveia.
Têm aparecido no mercado algumas opções de barrinhas salgadas. Pelo que ouvi dizer, quase todas são esquisitas ao paladar. Ainda assim, são possíveis.
Lá vai a Flora procurar pela internet receitas de barrinhas salgadas. Mas não foi fácil de achar.
Eu tinha encontrado um site que gostei muito, li no celular em algum trajeto de metrô, e depois nunca mais achei o link de novo.
Lembro que a pessoa que tinha escrito o post trabalhava em um hospital, e comentava o quanto achava atrapalhado comer mix de oleaginosas a título de lanche.
A idéia é boa, até. Mas não é prática:
Pensa você no ônibus/ no carro/ no meio de uma filmagem/ no escritório, seja lá onde for, segurando um pacote ou um potinho de nozes com uma mão e com a outra levando a comida à boca.
Pois bem, juntar todos os ingredientes em uma barra pareceu uma boa solução.
A pessoa tinha algumas idéias vagas sobre possibilidades de preparo, nada muito concreto.
Continuando a pesquisa, encontrei este post do No meat athlete. Aí foi que a coisa ficou clara:
eu não precisava de uma receita, e sim de uma fórmula. Genial esse cara.
Acontece que a fórmula dele não era exatamente o que eu estava procurando, apesar de preencher as necessidades alimentares etc etc etc.
Próximo passo? Fazer bagunça na cozinha até chegar a uma fórmula que eu gostasse.


Como base, utilizei a receita que eu já tinha de barrinhas de aveia, e cheguei a uma fórmula muito mais abrangente, que permite fazer barrinhas com ou sem carboidrato, doce, neutra ou salgada, com ou sem glúten, com ou sem produtos animais, com ou sem... enfim. Deu pra entender, né?
Para fazer 6 barrinhas, a fórmula ficou assim:

- 3/4 de xícara + 1 colher de sopa do ingrediente/s principal (ou seja: oleaginosas, sementes tostadas, fruta seca, aveia ou outro cereal em flocos, o céu é o limite!)
- Até 1 colher de sopa de algum ingrediente que dê sabor especial (casquinhas de laranja cristalizadas picadas, chocolate picado, uma pitada de canela ou de baunilha, uma pitada de curry, ervas frescas ou secas, cacau em pó, sementinhas de erva doce, por aí vai.)
- 3 colheres de sopa de um ingrediente que dê liga (o mais comum aqui seria utilizar 1 clara de ovo levemente batida até adquirir a textura de espuma, como explico na receita das barrinhas de aveia.
Uma clara equivale, em média, a 2 colheres de sopa, mas não precisaria adicionar outro ingrediente se não quisesse.
Poderia utilizar também mel, melado de cana, açúcar mascavo derretido em fogo brando, maple syrup.
Eu tenho usado água misturada a sementes de chia ou de linhaça. Ambas as sementes fazem com que a água se torne viscosa/ gelatinosa, e dão um resultado final muito bom, deixando as barrinhas com textura leve. Eu deixo as sementes de molho em água por pelo menos 1 hora antes de utilizar (mas pode ficar de molho por várias horas, sem problema) ou as cozinho em um pouco de água sobre fogo brando até atingirem a textura que minha mãe descreve como "baba de sapo". Um jeito muito atraente de descrever ingredientes, eu sei.
Uma última nota sobre isso: eu uso as sementes inteiras, mas desconfio que dê o mesmo resultado se você utilizar moídas ou em forma de farinha - precisa testar.
Por fim, você pode optar por uma mistura das opções acima ou outras que imaginar.
Lembre que, se optar por mel ou outro ingrediente doce, que seja no máximo 2 colheres de sopa, e nesse caso aumente a quantidade de gordura para 1 colher de sopa)
- 1 1/2 colher de chá de algum tipo de farinha refinada (ajuda a dar liga. Já utilizei de trigo e de arroz, as duas funcionaram às mil maravilhas. Provavelmente tem uma um trilhão de opções por aí afora).
- 2 colheres de chá de óleo (pode ser de oliva, canola, coco, gergelim, semente de uva, linhaça, manteiga, pasta de amendoim, tahine... ainda não entendi exatamente a função da gordura na fórmula, mas parece-me que tem a ver com barrinhas mais sequinhas e crocantes.)
- No mínimo 1/4 de colher de chá de sal marinho (serve como conservante, use mesmo em barrinhas doces. Caso esteja preparando uma versão salgada, fique à vontade para aumentar a dose).
- Bicarbonato de sódio (Veja só, hoje comprei duas barrinhas de gergelim muito gostosas numa lojinha oriental, para experimentar. Uma delas tinha na lista de ingredientes o seguinte "anti-humectante bicarbonato de sódio". Fez todo o sentido pra mim. Ainda não testei barrinhas com este ingrediente, mas acho que seria muito bem-vindo, e provavelmente eu utilizaria 1/8 de colher de chá.
Vai ajudar as barrinhas a durarem mais - o que sempre é bem vindo. As versões anteriores se mantiveram boas por até 10 dias guardadas em vidro bem tampado. Eu transferia para mini-tupperwares na hora de pôr na bolsa.

(Medida da xícara: 240ml)




Vou dar um exemplo, e junto já explicar o preparo:
- 3/4 de xícara + 1 colher de sopa de oleaginosas misturadas picadas: amêndoas cruas, semente de abóbora sem casca e sem sal, sementes de girassol tostadas, amendoim tostado, castanha do Pará, sementes de gergelim tostadas
- 1/2 colher de sopa de orégano fresco picado
- 3 colheres de sopa de água cozida com linhaça (cozinhei junto mais ou menos 1 colher de sopa de sementes cruas de linhaça e 1/4 de xícara de água filtrada - a famosa "baba de sapo")
- 1 1/2 colher de chá de farinha de trigo refinada
- 2 colheres de chá de óleo de oliva extra virgem
- 3/4 colher de chá de sal
(Lembrando que este é um exemplo que eu preparei de fato. Não havia colocado bicarbonato, mas recomendo testar o uso dele sim).

Coloquei todos os ingredientes secos em uma tigela, mais o orégano, e misturei. À parte misturei a linhaça e o óleo, e juntei à tigela com os demais ingredientes, misturando bem até ficar homogêneo.
Untei com óleo e enfarinhei de leve 6 forminhas retangulares individuais de 3x7cm, e transferi 2 colheres de sopa da "massa" para cada uma. Pressionei bem com a ponta dos dedos para que a massa ficasse compacta e atingisse mais ou menos 1cm de espessura.



Também já preparei as barrinhas em formas de coração (dá pra vê-las fim deste post), e circulares. O que importa é que a área do fundo da forma seja mais ou menos o mesmo, para que as barrinhas não fiquem espessas nem finas demais. Outra coisa: já usei tanto formas de metal como de silicone, e é verdade que as de silicone são muito mais fáceis de manusear, especialmente no momento de desenformar as barrinhas.
Em seguida, coloquei as forminhas individuais sobre uma assadeira grande virada com a boca para baixo (te explico o porquê: se as beiradas da forma estivessem em torno das forminhas individuais, tornariam a evoporação de líquido mais lenta e ineficaz). Levei ao forno pré-aquecido a 150oC e deixei assar por 30 minutos.
Passado este tempo as barrinhas devem estar razoavelmente firmes. As retirei das formas individuais e alinhei sobre a assadeira (mantendo a boca para baixo), me certificando de que o lado da barrinha que estivesse tocando o fundo da forma agora ficasse virado para cima.
Deixei no forno por mais 30 minutos a 130oC.

Ao retirar do forno, coloquei as barras sobre uma gradinha e esperei esfriar por completo antes de guardar. Eu mantenho as minhas barrinhas todas juntas em um ziplock ou em vidro bem fechado.
Se mantiveram boas por 10 dias na versão sem bicarbonato.

Agora, lembre que os nutrientes vão depender inteiramente dos ingredientes que você usar.
No exemplo que dei, são barrinhas muito calóricas, que fornecem muita energia e gordura de qualidade ao corpo (quase só oleaginosas). Uma delas serve sozinha como lanche, não coma mais de uma por vez. Se for o caso, mostre essa fórmula para um nutricionista e peça para ele te ajudar a pensar em ingredientes que sejam bons para as necessidades do seu corpo.





"Ta. Mas e a rotina no meio disso tudo?", pergunta o leitor com boa memória.
A rotina é algo em que penso constantemente, porque eu desgostava dela - até o dia em que a perdi.
E aí nós, profissionais autônomos, ficamos tentando estabelecer rotinas para fazer tudo funcionar, em meio à grande flutuação de datas de trabalho x datas livres x obrigações a cumprir x momentos de lazer x horário em que acordamos x a entrega do móvel que vai vir x o aniversário de pessoas queridas x...
No fim, acho que o melhor jeito é testar e testar, até descobrir quais são os componentes fundamentais para que cada semana corra bem (como os componentes fundamentais nesta fórmula de barrinha), e ir mudando os "ingredientes" conforme o que se tem à mão.
Para mim tem dado certo ao longo dos últimos meses. E para vocês?

3 comentários:

Ana Carolina Guztzazky disse...

Parabéns pelo empenho Flora!

thatiana Bandeira disse...

Já estou louca para fazer a barrinha salgada! Obrigada por compartilhar. Beijos

Wagner Silva disse...

Olá Flora!
Parabéns pelo seu blog, é ótimo e as fotos são maravilhosas!

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